As novas Barbies e a beleza das diferenças

Em 20.08.2015   Arquivado em Beleza, Diversão

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Minha brincadeira preferida quando era pequena (leia-se até os 13 anos) era brincar de Barbie. Eu ganhava aquelas mais simples da Mattel e montava a casinha, fazia roupas a partir de retalhos e falava sozinha por horas brincando no meu quarto quando não estava com as amiguinhas. Todas as minhas bonecas tinham nomes: Estrela, Tereza, Aline, Fabí, Sofia, e por aí vai. Nem as Susis e o Ken escapavam da minha criatividade: eram a Julia, a Monique e o Ben.

Mesmo preferindo as bonecas, minha infância não se resumiu aos brinquedos “de menina”. Brincava também de escolinha com alunos de “etnias” diferentes – de Max Steel do primo aos bichinhos de pelúcia, polícia e ladrão, alerta, mata-soldado, cidade de Gelokos e Gato Mia.

Ter essa liberdade de dividir meu tempo entre as bonecas e outras brincadeiras não criou em mim a vontade de ter o corpo da Barbie ou de me vestir como ela. Para falar a verdade, sequer gostava de roupa toda cor-de-rosa. Pelo contrário, eu pegava as “meninas” que estavam mais falhadinhas, apagava a tinta do rosto e redesenhava os olhos e bocas com espessuras e cores diferentes. Também cortava os cabelos e criava “personas”. A Fabí era excêntrica, fazia papel de cigana ou de uma tia extrovertida. A Tereza se dividia entre madrasta de conto de fadas e mãe rígida da vida real. A Aline, que tinha cabelos escuros e um look todo azul, era a estilosa da turma. Minha intenção era que elas não parecessem um grupo de clones, mas sim uma família ou um círculo social com pessoas distintas. Minha mãe, que sempre incentivou minha criatividade, me permitia essas alterações pois sabia que eu cuidava bem dos brinquedos e minha intenção não era estragar.

Todo esse momento nostalgia foi para comentar que, depois de mais de cinquenta anos investindo em um padrão X de bonecas, a Mattel anunciou para 2015 uma mudança significativa no desenvolvimento de seus produtos: a nova linha Barbie Fashionistas traz 8 tons de pele, 18 cores de olhos, 23 cabelos, modelos com curvas e tamanhos alterados. Além disso, uma nova articulação no tornozelo permitirá que as Barbies usem sapatilhas, sandálias e tênis sem salto alto, o que antes só bonecas como a minha Estrela, que morava na praia, podiam fazer.

É claro que a discussão sobre padrões de beleza e respeito às diferenças vai muito além da mudança de posicionamento de uma marca. Deve, na verdade, começar em casa com o cultivo da autoestima das meninas. De qualquer forma fiquei feliz em saber que agora as crianças poderão ter bonecas mais parecidas com elas, e que a nova linha da Mattel poderá inspirar outras empresas a buscarem a representatividade em seus brinquedos. “Thaysa, mas é só um brinquedo!”. Eu sei gente, mas a brincadeira vai além da diversão, ajuda as crianças a se desenvolverem para o convívio em sociedade. Então por que não mostrar que nem toda boneca é magra e peituda e nem todo boneco de ação precisa de músculos saltados?

Que as crianças misturem Max Steel com tartarugas ninjas, dinossauros menores que os cachorros de pelúcia, Pollys e bonequinhas em formato de bebês e vejam essas diferenças de uma forma positiva. Meu eu com 7 anos se empolgaria muito com esses modelos novos da Mattel, e eu com a cabeça de hoje e querendo ser mãe um dia vejo um dedinho de esperança nessa “bagunça” linda.