Categoria "Vida de host"

Vida de host: o que aprendi sobre a Bélgica com uma belga em minha casa

Em 26.08.2016   Arquivado em Vida de host

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Nem dá pra acreditar que já faz quase um ano que recebemos a Amira em nossa casa. Foram semanas muito diferentes e gratificantes com ela, conforme já contei no blog (pfvr, leia os posts aqui).

Para dar continuidade aos meus relatos sobre a experiência como host, decidi listar algumas coisas que aprendi sobre a Bélgica, ao receber uma belga aqui em casa. Os motivos:

  • Incentivar você a querer conhecer o país;
  • Trazer curiosidades para essa categoria do blog;
  • Mostrar que, mesmo não tendo condições de viajar, é possível conhecer vários aspectos sobre o mundo sem sair de casa. Não é maravilhoso?

Islamismo em Bruxelas

A família paterna da Amira é marroquina e segue as tradições do islamismo. Nem todos são religiosos, mas a cultura é algo que procuram preservar. Mas isso não é exclusividade da família dela. Praticamente metade de Bruxelas, a capital da Bélgica, é habitada por islâmicos que chegaram predominantemente do Marrocos na metade do século XX para trabalhar no país. Ou seja: a cultura ocidental e as tradições islâmicas se encontram todos os dias lá. Multiculturalismo, aliás, é a palavra-chave.

Férias no exterior

Essa frase soa “chique” no Brasil, mas é muito comum na Bélgica. Como o país é habitado por pessoas de origens diferentes (transporte acessível e distância pequena contam também), muitos nativos preferem passar as férias na França, Alemanha ou outro endereço vizinho que apreciam mais, enquanto nós queremos ir justamente para lá para conhecer as maravilhas do país belga.

Solidão na terceira idade

A expectativa de vida na Europa, dada a crescente qualidade de alimentação e saúde, é cada vez maior. Mesmo com a população vivendo mais, a Amira considera os belgas e vizinhos estrangeiros pouco atenciosos com os idosos. Como o trabalho é muito valorizado, eles não se dedicam tanto a visitar os pais e avós, que geralmente moram sozinhos.

Currículo trilíngue

Outra curiosidade sobre a Bélgica é que, por ser um centro de negócios europeu, as oportunidades de emprego mais específicas exigem o conhecimento de pelo menos três idiomas: francês, inglês e neerlandês são os mais comumente requisitados.  Nas universidades também são apreciados os acadêmicos que entendem outras línguas, já que nem todas as disciplinas são lecionadas em francês.

A mágica do Sol

Chove MUITO na Bélgica, o que faz com que os habitantes valorizem muito um dia de sol. Mesmo com a correria do dia a dia, você percebe um astral diferente no metrô, na universidade e em outros lugares públicos. A Amira infelizmente veio para Blumenau em uma época de chuva, o que a impediu de conhecer alguns locais turísticos. Mas quando o sol batia na sacada… Ela não contava até 3 para por um shorts, pegar um bronze e tirar muitas fotos da paisagem. “Spécial!”, ela repetia.

Chocolate? Com cerveja!

Quem aprecia uma boa cerveja já deve ter experimentado alguma garrafa com uma das opções belgas. São mais de mil e quinhentos tipos diferentes de cerveja produzidos em território belga, além dos populares chocolates, classificados entre melhores do mundo. Minha irmã belga não consome álcool, mas quanto aos chocolates, não só adora como também nos trouxe alguns. <3

Conclusão: um post só é pouco para contar tudo o que aprendemos sobre a Bélgica! Rs
Foram momentos descontraídos de conversas, presentinhos típicos e muitas experiências que enriqueceram não só o nosso conhecimento, mas também nossa forma de se relacionar com as pessoas.

Na imagem: Rafa (namorado), o serumaninho que vos escreve, Amira (belga) e Julia (prima).

Na imagem: Rafa (namorado), o serumaninho que vos escreve, Amira (belga) e Julia (prima).

Hospedar alguém expande nossas ideias de uma forma incrível! Minha mãe e Amira, por exemplo, compartilharam muitos ensinamentos e aprendizados sem ao menos falar o mesmo idioma.

Se você também aprendeu algumas curiosidades sobre a Bélgica, tem uma impressão diferente sobre algum dos tópicos, ou pensa em hospedar alguém de qualquer lugar do mundo e ter por algumas semanas uma “vida de host”, deixe seu comentário!

Em breve, compartilharei algumas curiosidades que aprendi sobre a Colômbia também. Acompanhe!

Vida de host [2]: hasta luego!

Em 26.07.2016   Arquivado em Vida de host

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O dia começou apressado aqui em casa. Pauli correu contra o tempo para terminar de fazer as malas, e por volta das sete horas já nos encaminhamos para a garagem de onde o ônibus parte até o aeroporto.

Desde ontem, o tom de nossas conversas foi de despedida. Comemos arepas e licor de café colombiano, conversamos sobre alguns momentos das últimas semanas e, de certa forma, tentamos distrai-la para que não ficasse tão triste.

Mas nunca é fácil dizer tchau. Ainda que saibamos desde o início que a experiência de intercâmbio tem apenas algumas semanas, é inexplicável como criamos laços e compartilhamos sentimentos e histórias. Parece pouco tempo quando é hora de se despedir, mas são dias suficientes para sentir que sua família aumentou.

Ser host é assim mesmo: ser um pedacinho da família de alguém em outro país. Oferecer o básico em termos de hospitalidade e conforto, e em troca conhecer uma nova cultura e, acima de tudo, uma nova pessoa, com expectativas, receios, qualidades, muitas coisas a ensinar e vontade de fazer do intercâmbio voluntário a melhor experiência possível.

Já sentimos saudades da Paulina, de suas amigas Dani e Camila, e de todos os momentos de diversão e aprendizado que tivemos. De uma coisa, porém, temos certeza: elas se desenvolveram bastante como pessoas e aproveitaram muito o tempo em que estiveram em Blumenau.

Bueno, no siendo más! Agora nossas meninas colombianas estão a caminho da última etapa da aventura: vão para o Rio de Janeiro. Serão três dias de passeio para conhecer os principais pontos turísticos e se despedir do Brasil com samba, sol e simpatia.

Com as portas e o coração sempre abertos para vê-las novamente, que nossa despedida seja um “hasta luego”, e que possa tomar muitos cafés colombianos ao lado dessas rumberas que aprendi a amar tanto.

Como dijo Mickey Mouse? Todo el mundo pa su house!

Vida de host [2]: quinta semana

Em 18.07.2016   Arquivado em Vida de host

Olha eu aqui, antes tarde do que mais tarde, deixando os relatos da Vida de Host ~quase~ em dia!

Para que possam se situar, hoje vou contar um pouquinho sobre a semana de 05 a 11/07 com a Paulina, a irmã colombiana que recebi em junho.

Vamos começar pela missão principal do intercâmbio: o projeto dela na Associação Assistencial Lar Betânia ganhou ainda mais forma na quinta semana com uma grande campanha para arrecadação de caixas de leite. Além de publicações e eventos nas redes sociais, ela e Daniela – outra amiga da Colômbia e voluntária na mesma instituição, se dedicaram a pedir espaços em alguns mercados da cidade para montar um estande e divulgar pessoalmente a necessidade de doações.

Enquanto isso, nas horas livres, teve Forró Danado na quarta-feira (06), e quinta (07) rolou uma festa latina com outros trainees e membros da AIESEC, e as meninas comandaram a playlist com reggaeton e outros ritmos típicos. Daniela esteve aqui em casa antes e depois da festinha, e finalmente conheceu a minha mãe, que modéstia parte, é uma host super empenhada em deixar todo mundo à vontade.quintasemana

Sábado foi o grande dia da campanha “Doe leite, doe felicidade”. Durante quase o dia inteiro, Paulina e Daniela abordaram pessoas no Hipermercado BIG e arrecadaram cento e cinquenta caixinhas! Foi lindo como se empenharam em tomar a iniciativa de conversar com as pessoas e pedir doações. Eu acompanhei de longe essa atividade, pois estava em Porto Alegre, mas fiquei muito orgulhosa do resultado!

A propósito, doações ainda são bem-vindas. Se tiver interesse, fale comigo ou entre em contato com a página do Lar Betânia!

Domingo o despertador foi a carreata em celebração a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas. Pauli é católica, mas não conhecia a festividade. Comentou que na Colômbia não costumam fazer festas para padroeiros, apesar de haver muitos feriados religiosos.

À tarde, minha mãe fez um tur com a Pauli pelo bairro Progresso. Apresentou o Recanto Silvestre, em um dia em que a água do rio estava especialmente limpinha, mostrou a igreja Santa Isabel e a levou à festa de São Cristóvão para comprar bolo e churros.

De noite, o Jonathan da AIESEC, que sai muito com a Paulina (vulgo “mozão”), finalmente conheceu nossa casa e pode conversar com a mãe sobre o propósito da organização, as atividades que desenvolvem e como é gratificante ver pessoas tão jovens fazendo a diferença no mundo.

Na segunda-feira (11) eu e Rafa, aniversariante do dia, chegamos de viagem e fomos recebidos com uma deliciosa lasanha da Dona Zilma! Paulina, sem saber, deu de presente o chocolate preferido dele: chocolate branco com cookies (fica a dica prozamigo!).

Amanhã sai o último resumão da “temporada”, porque o post seguinte já será de despedida, então, lencinhos em mãos!

Vida de host [2]: terceira e quarta semanas

Em 12.07.2016   Arquivado em Vida de host

– Cadê a Paulina?

Essa provavelmente foi a pergunta que mais ouvi nas semanas 3 e 4 como host dela. É que a minha hermanita, além de adaptada à cidade, está super envolvida em várias atividades para aproveitar bem o período de intercâmbio.

De segunda à quinta, conforme já mencionei, ela passa o dia na Associação Assistencial Lar Betânia desenvolvendo seu projeto pela AIESEC. Além desse compromisso, os trainees têm aula de português e meeting para conversar sobre o desenvolvimento de suas atividades.

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Nas imagens: Valentina, Daniela, Paulina, Camila (Colômbia) e Michael (Alemanha) no Beto Carrero; Mafe, Paulina e Camila (Colômbia) na festa junina.

Já na sexta, a Pauli e outros intercambistas aproveitaram o day off para conhecer o Parque Beto Carrero World, em Penha, Santa Catarina. O tempo estava ótimo, e como chegaram cedo, eles conseguiram aproveitar o dia inteiro para se divertir com os brinquedos e shows.

À noite, Paulina ainda teve fôlego para voltar ao Ahoy, um bar/casa de show bacana aqui da cidade.

Sábado foi dia de acordar mais tarde, limpar a casa e lavar algumas roupas. Mais tarde, os trainees participaram de uma festa junina com a equipe da AIESEC. Não acompanhei a Paulina desta vez, mas tive participação nos preparativos, pois a caracterização de caipira e a festa de São João são tradições bem brasileiras e pouco conhecidas lá fora.

Domingo não foi um dia com tempo muito bonito, mas a Paulina não deixou de turistar, rs. Aproveitando que um amigo da AIESEC levaria um garoto até o aeroporto de Joinville, pegou carona para conhecer a Cidade das Flores. Infelizmente não teve muito tempo para passear por lá, mas pelo menos esteve em uma cidade diferente, não é mesmo?

Já na quarta semana, além das atividades relacionadas ao intercâmbio, Pauli conheceu Florianópolis com outros amigos na sexta-feira de folga, e aproveitou uma feijoada realizada pelos membros da AIESEC em Balneário Camboriú no dia seguinte. Eles não passearam muito em BC, mas gostaram da nossa capital, visitada no dia anterior. Conheceram a Lagoa da Conceição, as Dunas da Joaquina e outros lugares bonitos da cidade.

Bom, por esse resumão já deu pra entender por que me fizeram a pergunta do início, né?! Fizemos rolês diferentes nos últimos dias, mas tudo certo, o importante é que ela realmente aproveite essas oportunidades toda e se divirta com a experiência.

No domingo da quarta semana, passamos a tarde juntas e Camila veio para tomar um café conosco. À noite, fomos ao cinema assistir ao filme “Procurando Dory”, que elas conseguiram compreender, mesmo sendo dublado, e todos nos emocionamos um pouquinho. <3

Ufa! Semanas produtivas essas, hein?!

Como moramos juntas, entre um passeio e outro foi possível conversar bastante sobre nossas diferenças culturais, cenários políticos, comidas, costumes, etc. De forma de comemorar o aniversário de quinze anos, até um pouco da história sobre a origem das guerrilhas, não falta assunto quando você decide ser host!

(Imagens: Perfis da Mafe e da Daniela no Facebook)

Vida de host [2]: primeira semana

Em 15.06.2016   Arquivado em Vida de host

Ontem fez uma semana que recebemos a Paulina, da Colômbia, e começamos uma nova experiência como hosts pela AIESEC. Apesar da friaca que está fazendo em Blumenau, minha nova hermana está se adaptado super bem à rotina, ao projeto e à cidade. Hoje vim contar um pouquinho sobre a nossa primeira semana.

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Fotos do celular

Ser host pela segunda vez é mais leve. É claro que ficamos ansiosas para conhecer pessoalmente a menina que moraria conosco nas próximas semanas, mas dessa vez sem aquela preocupação toda, já que ano passado desconstruímos vários receios relacionados à hospedagem, como contei aqui.

A Paulina chegou no dia 7 de junho com outras duas amigas que estudam com ela na universidade, em Manizales. No primeiro momento a comunicação foi trilíngue, porque eu falo portunhol, ela fala espanguês e ambas falamos inglês. O que não conseguíamos compreender em nossas línguas nativas, improvisávamos com o terceiro idioma. Mas antes mesmo de chegar em casa (eu fui buscá-la na rodoviária) já estávamos conversando de forma bem natural.

No mesmo dia em que chegou, ela já conheceu o restante da minha família, já que meu irmão era o aniversariante do dia. Minha sobrinha, Mariah, se empolgou com a chegada da nova amiga e desatou a falar super rápido. Resultado: Pauli não entendia nada, mas como lhe deu atenção, para a pequena estava tudo certo.

No dia seguinte, quarta, Paulina já começou seu projeto social na ONG Lar Betânia, e teve seu primeiro contato com o transporte público da cidade. Como ano passado passamos por um sufoco na primeira semana, dessa vez fiz um mapinha à mão com várias informações sobre os ônibus, e deu super certo. Depois do expediente, Paulina já voltou pra casa sozinha e sem dificuldade alguma.

À noite, fomos a um bar super bonitinho da cidade chamado Baader, com decoração germânica, várias opções de cervejas e cafés e muitos lanches diferentes no cardápio, comparando ao que é servido na Colômbia. Paulina conheceu algumas das minhas amigas e mostrou que não tem dificuldades para se entrosar.

Quinta-feira ela teve o primeiro encontro com os outros intercambistas que estão na cidade, e isso com certeza deu um gás em sua experiência. Felizmente o grupo de trainees é bem grande, sendo seis ou sete meninas da Colômbia (quase todas estudam juntas), e outras pessoas da Alemanha, Itália, França e México.

Sexta é o dia de folga dos trainees em seus projetos, então eles aproveitaram para passear pelo centro de Blumenau e visitar o Zoo de Pomerode, a cidade vizinha. Também conheceram a famosa confeitaria Torten Paradies, parada quase obrigatória para quem decide turistar por lá.

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Sábado participamos do Global Village, evento promovido pela AIESEC para que o pessoal compartilhe um pouco da cultura de seu país. O encontro foi em frente a um dos setores da Vila Germânica, importante ponto turístico, e ocorreu durante o dia inteiro. Para quem ainda não prestigiou, vale a pena conhecer, especialmente se pensa em fazer um intercâmbio social ou hospedar alguém.

À noite, os trainees se reuniram para ver o jogo da Colômbia contra a Costa Rica, e depois nos encontramos no Factory. Foi bem divertido conhecer alguns membros da AIESEC, dançar e cantar com o povo todo e apresentar a famosa caipirinha. O frio quase nos manteve debaixo das cobertas, mas valeu a pena sair com eles! No fim das contas, fizemos uma montanha de casacos e todos curtiram muito.

Domingo foi dia de domingar, claro. Acordamos tarde e ficamos lagarteando no sol. A Camila, também da Colômbia, veio dormir aqui em casa e aproveitou o domingo com a gente. Antes de deixá-la na casa de sua host, mostramos a elas a vista do Portal da Saxônia ao entardecer, de onde se pode ver boa parte da região central da cidade e alguns bairros próximos.

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A nova semana começou sem grandes novidades, mas com a certeza de que como hosts vamos aproveitar muito essa nova experiência, assim como a Paulina está empenhada em fazer do seu tempo no Brasil o mais incrível e produtivo que puder.

Continue me visitando para acompanhar os resumos!

Vida de host: entrevista com Ana

Em 30.05.2016   Arquivado em Vida de host
María Lorena (de óculos) e Ana Paula (de gorrinho)

María Lorena (de óculos) e Ana Paula (de gorrinho)

Desde o ano passado as publicações sobre Vida de Host estão paradas no blog, já que não recebemos uma nova trainee em casa. Mas eis que a Ana, uma amiga da faculdade, foi host de uma menina super querida nas últimas semanas, então resolvemos compartilhar por aqui como foi a experiência.

Assim como eu, a Ana também se inscreveu no site da AIESEC para hospedar uma intercambista. O projeto é voluntário, e apesar de não envolver remuneração, rende muito aprendizado, novas experiências e amizades para a vida toda. <3 (mais…)

Vida de Host: sexta semana

Em 03.11.2015   Arquivado em Vida de host

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Chegamos ao último resumão da “Vida de Host” da Amira! Vim contar um pouquinho sobre a sexta semana, e vou tentar ser o mais leve e animada possível, porque ó, saudadinha não está fácil.

A semana das meninas começou com uma trégua no tempo, para nossa alegria. A Hind e a Amira aproveitaram a terça-feira sem chuva para visitar o bairro Nova Rússia, uma região de Blumenau com cachoeiras e mata preservada. A Mirella, que é prima do Rafa (namorado), fez companhia a elas. Obrigada, Mi!

Nos dias seguintes, as meninas compraram brinquedos para as crianças do Lar Bethel, instituição para a qual trabalharam voluntariamente durante o intercâmbio da AIESEC. Apesar das saídas para comprinhas, a Amira passou bastante tempo comigo e com minha mãe. Conversamos muito!

Sexta-feira, ela tirou o dia para descansar, e já mostrava sinais de desânimo por ter que se despedir da gente. À noite, enquanto foi ao shopping com a Hind e a Julia (prima), eu e a mãe saímos para comprar um presentinho. Escolhemos um par de chinelos Havaianas bem bonito, com estampa inspirada nas praias brasileiras, e decoramos com pingentes da bandeira do Brasil.

Assim que chegamos em casa, a mãe já quis dar o presente – ela é dessas que fica ansiosa para presentear logo. A Amira amou, nos abraçou, beijou e agradeceu muitas vezes. (Também demos algumas lingeries, e a reação foi “Oh-la-laaa!”)

Mais tarde, eu e o Rafa conversamos com ela sobre o intercâmbio. Para nossa surpresa, ela disse que foi a melhor experiência da vida. Contou pra gente um pouquinho de como é sua rotina da Bélgica, e confessou estar angustiada por sua volta. Acho que é como a Michelle do Cabide Colorido contou uma vez por vídeo: quando você mora em outro país, ainda que por pouco tempo, tem a sensação de uma vida paralela.

Sábado levamos a Hind e a Amira para conhecer o Molhes da Barra, na cidade de Itajaí. É um lugar bem interessante: o molhe é um divisor entre o Rio Itajaí Açú e o mar, então de um lado a água estava laranja e barrenta, do outro, verde escura.

O passeio teria sido muito divertido, se não tivesse escapado por pouco de ter sido assaltada. Acho que a câmera chamou a atenção, e uns caras começaram a seguir a gente até o estacionamento. Felizmente, nos abrigamos em uma barraca de caldo de cana até que pararam de olhar e foram embora. Ps.: Não comentei absolutamente nada com as meninas, e elas também não questionaram, mas acho que entenderam a situação.

Domingo foi dia de almoço de família, e a Hind estava lá em casa com a gente. A Amira aprendeu com meu irmão a preparar salmão e fazer molho de manga e gengibre, que ficou uma delícia! Enquanto ele colocou a mão na massa, lá estava ela com as anotações, pra lá e pra cá. O cardápio da família dela em Bruxelas vai ganhar um “up” pelo tanto de receitas que quis aprender aqui!

Fim de tarde, eis que a choradeira começou. A Hind precisou se despedir da minha família, e chorou muito quando chegou a vez da mãe. :/

Mais tarde, chegou a vez da Julinha ir embora, e a choradeira parte 2 foi entre ela e a Amira.

O auge da noite foi um momento emocionante entre eu, Amira, Rafa e mãe. Ela apareceu na sala com uma carta escrita em português e leu pra gente, com a voz embargada. Acho que, de todo o processo de despedida, esse foi o momento mais doloroso.

No dia seguinte, logo cedo, a Amira se despediu da minha mãe, e mais uma vez disse que foi a melhor experiência que teve. No caminho até a estação de embarque, fomos conversando – sem lágrimas – sobre toda a experiência. Aproveitei o assunto para ensinar a palavra “saudade”, que não tem tradução.

Deixei a Amira e a Hind na estação de ônibus e me despedi rapidamente delas, dessa vez um pouco mais serena. Eu e Amira nos abraçamos muito e a agradeci por tudo. Logo chegou o momento de guardar a bagagem e partir, foi quando segui meu caminho para o trabalho, agora sim, produzindo água para a Cantareira.

Contando assim parece que a despedida não compensa todo o restante da “Vida de Host”, mas nem de longe quero passar essa impressão. Na verdade, tivemos uma conexão que jamais imaginaríamos. A experiência foi realmente transformadora, mesmo em âmbitos da nossa vida que nem compartilhamos com a Amira.

Foram só seis semanas de uma amizade que não terá fim com o aumento da distância. Skype, Facebook e outros recursos estão aí para que a gente mantenha contato, e a possibilidade de ir visitá-la ou recebê-la de novo um dia é bem grande. \o/

Vida de host: quinta semana

Em 26.10.2015   Arquivado em Vida de host

Ê, saudade! Deixei a Amira e a Hind na estação de embarque hoje de manhã. A despedida da Amira ontem e hoje foi uma choradeira só. Mas vamos voltar um pouquinho a fita: fiz um resumão da quinta e penúltima semana de “Vida de Host”. Teve chuva, planejamento de viagem, momentos em família, Oktober e a clássica pergunta: “caso ou compro uma bicicleta?”.

A semana começou com o feriado de 12 de outubro. Nós aproveitamos o dia para descansar, já que fomos para a Oktoberfest domingo e o tempo estava chuvoso, como nas últimas semanas.

A Hind passou o dia conosco também, e conversamos muito durante a tarde. Ela nos apresentou o Hammam, que em árabe quer dizer algo como “banho”. Trata-se de uma tradição que envolve sauna, massagem, esfoliação e relaxamento. Algo como um dia no spa, só que por um preço muito inferior ao praticado no Brasil e em um lugar lindo, calmo e com decoração típica.

O Hammam surgiu para providenciar momentos de higiene e saúde. Ao fazer o tratamento, primeiramente você fica em uma sala com vapor, para abrir os poros. Depois, uma série de procedimentos são realizados, e variam de acordo com o local. Na maioria dos casos, faz-se uma esfoliação com sabão preto e outros sais, massagem e limpeza. Depois, você ainda migra para outra sala e fica um tempo relaxando antes de sair.

Nos Hammams tradicionais, muitas pessoas ficam juntas no mesmo ambiente, o que para nós soou bem estranho, porque estão todos nus ou seminus. É claro que homens e mulheres são separados, mas ainda assim a cena não parece muito confortável, pelo menos para mim e para o Rafa.

A boa notícia é que existem opções mais intimistas. Alguns Hammams modernos do Marrocos permitem que você faça o tratamento sozinho ou com poucas pessoas, reservando com antecedência. Bacana, né?!

A Hind faz o Hammam todo mês, já é uma espécie de necessidadea ela, e o melhor: paga no máximo o equivalente a 30 reais aqui. Quando é minha vez de fazer isso aí mesmo?!

A semana seguiu com a Amira mais abrasileirada do que nunca, anotando freneticamente as receitas da minha mãe, conversando sobre vários assuntos conosco e, como sempre, de olho na previsão do tempo.

Sexta-feira é o day off delas no trabalho voluntário, então resolveram ir para Bombinhas com a Maria, membro da AIESEC. O tempo estava cinza e com cara de chuva, mas elas são tão otimistas que saíram de casa de biquíni e vestido. A Amira só pegou casaco porque a “Host mãe” (ela chama a mãe assim, às vezes) avisou. Bendita foi essa jaqueta!

As meninas ficaram sexta e sábado em Bombinhas e tiveram que recorrer aos pijamas para não passar frio. O tempo tem trollado muito, não dá pra confiar na previsão. Pelo menos elas conheceram a praia e acharam tudo muito lindo. E a companhia também agradou muito, elas adoram a Maria! Ainda quero conhecê-la.

Domingo teve almoço de família lá em casa com meu irmão, esposa e filhos, Rafa, irmã dele e cunhado, e a Master Chef Mãe. A Hind dormiu lá de novo e finalmente conheceu o pessoal.

Depois do rango, a surpresa: sol de rachar, daquele que queima se você ficar meia horinha sem protetor. WHY???

As meninas conheceram o clássico “sol na lage”, porque com a instabilidade do tempo, nem ousamos ensaiar um passeio.

À noite resolvemos aproveitar o sossego do domingo para ir para a Oktober de novo, dessa vez para jantar algo típico e mostrar todos os setores para as gringas. Quando estávamos saindo, a Hind se despediu da minha mãe e disse que ela se lembra muito da família quando está lá em casa, se sente bem à vontade, e agradeceu por tudo. Que bom saber que, além da casa da Belisa, ela também se sente confortável conosco e que ganhou uma segunda host family!

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Na Oktober comemos pratos alemães, dançamos, tiramos fotos, e passeamos por todos os setores. Mesmo morando em Blumenau, esqueço que há dias mais calmos que o agitado sábado a noite. É claro que ele tem sua valia, mas é gostoso ir com a família e os amigos em momentos tranquilos.

Perto da meia noite, deixamos a Hind em casa e fomos descansar, porque a segunda nos esperava e o horário de verão já chegou elevando o sono ao modo hard! Logo logo a gente se acostuma com a mudança.

Bônus: lembra que comentei no início do post sobre casar ou comprar uma bicicleta? Eu e o Rafa conversamos muito sobre o futuro e temos as nossas economias. Com a empolgação de viajar para o Marrocos e a Bélgica, e ao mesmo tempo o desejo de ter o nosso canto (sem pressão, não é plano pra já), a gente tem revisto muitas de nossas metas para que seja possível conhecer outros países. Como essa experiência de host impacta, né?!

Sei que o relato da quinta semana estava atrasado, mas prontinho, aí está. O resumão da última semana sairá em breve, assim que eu tiver melhorzinha para contar tudo sem levar para o lado tristinho da coisa, porque a gente estava em clima de despedida desde sexta.

Boa semana a você, e a mim também. Espero terminá-la sem amigdalite, porque não está sendo fácil.

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Vida de host: quarta semana

Em 12.10.2015   Arquivado em Vida de host

Alô, Blumenau! Bom dia, Brasil! 19 dias de folia!

Essa semana começou a Oktoberfest, tradicional festa germânica da cidade. Além da Amira, quem também veio prestigiar a festa foi a chuva, que pelo jeito vai nos acompanhar até o final do intercâmbio (não me escute, São Pedro!).

Quarta-feira teve o desfile de abertura, mas fomos ao aniversário da minha sobrinha Mariah. A Amira foi conosco e comprou dois presentinhos fofos pra ela. Conheceu o “Parabéns” português, comeu uma torta deliciosa de frango que também era novidade pra ela, e docinhos como pão de mel e brigadeiro de leite ninho com Nutella. Ah, essa comida daqui! <3 

Sexta as meninas aproveitaram o dia para passear com a Belisa, depois foram para a casa dela fazer uma troca: tiveram aula de português e a ajudaram com o francês. A Amira acabou dormindo lá e nos vimos só no outro dia. Notei que essa semana ela está especialmente empolgada com os aprendizados do intercâmbio, provavelmente porque gosta daqui e já está super familiarizada, o que motiva a querer saber mais.

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Sábado o tempo colaborou (agora vai!) e assistimos ao desfile da Oktober. Até pegamos uma chuvinha leve, mas nem vou reclamar porque foi tudo lindo. E para fechar, aproveitamos que domingo era véspera de feriado para levá-las a festa, com trajes típicos e tudo. Elas ficaram boa parte do tempo sentadas ou observando a multidão e fazendo vídeos. Achamos que não curtiram muito, mas talvez os brasileiros é que são mais bagunceiros nessas ocasiões mesmo. Elas amaram se vestir de fridas e tiraram muitas selfies. Finalizamos a noite com uma batata-recheada bem gostosa.

Ah, deixa eu voltar ao sábado rapidinho: as meninas falaram que na Bélgica e no Marrocos os apliques brasileiros são bem procurados, e as mulheres do Brasil são conhecidas por seus cabelos bonitos (pra gente é normal, mas elas reparam bastante nisso aqui). Aí a Amira mostrou pra gente um aplique e eu e o Rafa provamos! Me senti uma sereia, a Rapunzel, ou qualquer outra personagem cabeluda. A gente tirou um monte de fotos. Foi engraçado!

Esta semana o relato talvez entre em um clima de nostalgia/bad vibes, porque a gente fez as contas e vimos que falta muito pouco para elas irem embora. Achei um ponto negativo da experiência: o apego seguido pela saudade. Mas não quero pensar sobre isso agora não, em vez disso, eu e o Rafa já estamos pensando em roteiros para quando formos visitá-las. Vai ser lindo conhecer a Bélgica e o Marrocos, e vê-las de novo – especialmente a Amira – vai dar um quentinho no coração, já posso sentir agora.

Vida de host: terceira semana

Em 05.10.2015   Arquivado em Vida de host

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Oii, tirei um tempinho para resumir essa semana como host family, que não teve muitas novidades. Agora que a empolgação de rever a prima passou (contei sobre a chegada da Hind lá na segunda semana), a Amira passou mais tempo em casa, e por isso aprendeu novas palavras e conversou bastante com a minha mãe. As duas, apesar de não terem um idioma em comum, se entendem bem, pois têm a mesma vontade de estabelecer a comunicação. Isso é muito legal!

Essa semana continuou bem chuvosa aqui na cidade, estamos preocupadas com o tempo, porque as meninas querem conhecer as praias da região. Há outras atrações na cidade, mas o que elas mais gostam de ver são as paisagens naturais.

Já que o final de semana não deu praia, a Amira e a Hind preparam um jantar marroquino aqui em casa. Chamamos a Belisa, o Rafa e a Ju e comemos pratos que, mesmo com ingredientes familiares, tinham o tempero bem diferente do que costumamos fazer aqui.

As meninas fizeram uma salada com batatas, ovos, beterraba e azeitona, e prepararam duas carnes diferentes: frango com cominho, cúrcuma, folhas de louro e outras especiarias, e alcatra bovina com ameixa, canela e amêndoas e mais ingredientes. Gostamos das duas opções, mas como não sou fã de ameixa, a primeira foi minha preferida.

Domingo foi dia de zoológico! A Belisa foi com a Amira, a Hind e a Ju ao Zôo de Pomerode, enquanto eu e o Rafa demos uma volta pela cidade, tomamos um café colonial exagerado no Torten Paradies e um Chopp na Shornstein. Depois nos reunimos novamente no Torten e as meninas adoraram as cucas, tortas e outras gostosuras de lá. A gente só não lanchou de novo porque não coube!

[Foto da Prefeitura: Blog do Jaime]

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