Eu divago, tu divaga, ela divag… Olha que lindo o pôr do sol!

Em 08.09.2015   Arquivado em Comportamento

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Eu devo pensar em situações imaginárias com a mesma frequência que a minha sobrinha, de cinco anos. Aliás, ela vai fazer seis no mês que vem. Como o tempo passa rápido, né?! Mas vamos voltar à sequência que esse texto deveria ter, se eu não fosse distraída.

Tenho uma agenda física com listas super organizadas, cumpro meu cronograma de trabalho, sempre me lembro de datas e eventos importantes e consigo manter o foco se o que estiver fazendo for interessante. Mas se a atividade for corriqueira e eu estiver no piloto automático, devaneio.

Houve um tempo em que estava no cinema, em casa, no trânsito e, quando me dava conta, estava em pânico por numa situação trágica que acontecia na minha cabeça. Ora achava que essa situação hipotética aparecia do nada, ora pensava na possibilidade de ser um mau pressentimento, mas depois eu descobri que meus medos eram gatilhos para que essas cenas horríveis acontecessem na minha cabeça, e que era possível pará-las.

Parar pensamentos trágicos: check. Mas ainda há tantos outros devaneios para riscar da minha lista! (Ou não preciso?) Me arrumo em frente ao espelho tendo uma conversa divertida com Pharrell Williams. Demonstro empolgação ao escrever um e-mail para uma oportunidade profissional incrível enquanto, na verdade, estou segurando uma xícara de café no lugar do celular ou de outro objeto que me possibilitaria essa atividade. E uau, quantas vezes tive discussões profundas sobre coisas que nunca me chatearam na vida real!

Eu devaneio, falo sozinha, me distraio e me transporto pra outros lugares sem tirar os pés do chão. Deve ser característica comum em pessoas criativas e extremamente ansiosas. Ou será que é exclusividade minha subir nesse balão? Nossa, fui longe com essa do balão. Estava pensando no air balloon da Lily Allen, mas me lembrei que a música do Balão Mágico também se encaixa nessa referência. Ó, divaguei aqui de novo.

Eu devo pensar em situações imaginárias com a mesma frequência que a minha sobrinha, de cinco anos. A diferença entre nós é que ela usa seus sonhos e aventuras mirabolantes da cabeça para inspirar suas brincadeiras, ações e até conversas do dia a dia, como quando ela iniciou uma discussão realmente séria sobre o que poderia fazer para ficar famosa, e seguiu com a expressão do rosto determinada dando uma entrevista, enquanto segurava o microfone de shampoo como se fosse a coisa mais natural do mundo. E era.

A gente pode divagar, imaginar, se distrair, devanear, procrastinar, se isso não interferir nas atividades do dia a dia. O que acho mais grave é deixar de fazer isso e se concentrar o tempo todo no aqui, no agora, no real, nas estatísticas, nas listas do que fazer. As metas não parecem mais próximas do alcance quando temos essas visualizações em nossa mente? Veja bem, não estou falando em se concentrar e aproveitar o presente. Me refiro a pôr os pés no chão e o pensamento adiante, ou mesmo nas nuvens, mas sem desancorar.

Quero continuar devaneando pra caramba, se isso me fizer tão criativa quanto a minha sobrinha. Ia escrever outra coisa no lugar de caramba. Um palavrão que ouvi bastante em uma reunião incrível que tive no começo da semana. Ela rima com baralho, mas eu realmente tenho um certo bloqueio de usar palavras assim. Já falei que eu troco “palavras feias” por outras similares como a rima acima? Aliás, já falei que divago bastante?

Bônus: Adorei o texto da Marcella para o Chata de Galocha. Ela falou justamente sobre imaginação fértil.

[Imagem: Pexels]