Vida de host: o que aprendi sobre a Bélgica com uma belga em minha casa

Em 26.08.2016   Arquivado em Vida de host

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Nem dá pra acreditar que já faz quase um ano que recebemos a Amira em nossa casa. Foram semanas muito diferentes e gratificantes com ela, conforme já contei no blog (pfvr, leia os posts aqui).

Para dar continuidade aos meus relatos sobre a experiência como host, decidi listar algumas coisas que aprendi sobre a Bélgica, ao receber uma belga aqui em casa. Os motivos:

  • Incentivar você a querer conhecer o país;
  • Trazer curiosidades para essa categoria do blog;
  • Mostrar que, mesmo não tendo condições de viajar, é possível conhecer vários aspectos sobre o mundo sem sair de casa. Não é maravilhoso?

Islamismo em Bruxelas

A família paterna da Amira é marroquina e segue as tradições do islamismo. Nem todos são religiosos, mas a cultura é algo que procuram preservar. Mas isso não é exclusividade da família dela. Praticamente metade de Bruxelas, a capital da Bélgica, é habitada por islâmicos que chegaram predominantemente do Marrocos na metade do século XX para trabalhar no país. Ou seja: a cultura ocidental e as tradições islâmicas se encontram todos os dias lá. Multiculturalismo, aliás, é a palavra-chave.

Férias no exterior

Essa frase soa “chique” no Brasil, mas é muito comum na Bélgica. Como o país é habitado por pessoas de origens diferentes (transporte acessível e distância pequena contam também), muitos nativos preferem passar as férias na França, Alemanha ou outro endereço vizinho que apreciam mais, enquanto nós queremos ir justamente para lá para conhecer as maravilhas do país belga.

Solidão na terceira idade

A expectativa de vida na Europa, dada a crescente qualidade de alimentação e saúde, é cada vez maior. Mesmo com a população vivendo mais, a Amira considera os belgas e vizinhos estrangeiros pouco atenciosos com os idosos. Como o trabalho é muito valorizado, eles não se dedicam tanto a visitar os pais e avós, que geralmente moram sozinhos.

Currículo trilíngue

Outra curiosidade sobre a Bélgica é que, por ser um centro de negócios europeu, as oportunidades de emprego mais específicas exigem o conhecimento de pelo menos três idiomas: francês, inglês e neerlandês são os mais comumente requisitados.  Nas universidades também são apreciados os acadêmicos que entendem outras línguas, já que nem todas as disciplinas são lecionadas em francês.

A mágica do Sol

Chove MUITO na Bélgica, o que faz com que os habitantes valorizem muito um dia de sol. Mesmo com a correria do dia a dia, você percebe um astral diferente no metrô, na universidade e em outros lugares públicos. A Amira infelizmente veio para Blumenau em uma época de chuva, o que a impediu de conhecer alguns locais turísticos. Mas quando o sol batia na sacada… Ela não contava até 3 para por um shorts, pegar um bronze e tirar muitas fotos da paisagem. “Spécial!”, ela repetia.

Chocolate? Com cerveja!

Quem aprecia uma boa cerveja já deve ter experimentado alguma garrafa com uma das opções belgas. São mais de mil e quinhentos tipos diferentes de cerveja produzidos em território belga, além dos populares chocolates, classificados entre melhores do mundo. Minha irmã belga não consome álcool, mas quanto aos chocolates, não só adora como também nos trouxe alguns. <3

Conclusão: um post só é pouco para contar tudo o que aprendemos sobre a Bélgica! Rs
Foram momentos descontraídos de conversas, presentinhos típicos e muitas experiências que enriqueceram não só o nosso conhecimento, mas também nossa forma de se relacionar com as pessoas.

Na imagem: Rafa (namorado), o serumaninho que vos escreve, Amira (belga) e Julia (prima).

Na imagem: Rafa (namorado), o serumaninho que vos escreve, Amira (belga) e Julia (prima).

Hospedar alguém expande nossas ideias de uma forma incrível! Minha mãe e Amira, por exemplo, compartilharam muitos ensinamentos e aprendizados sem ao menos falar o mesmo idioma.

Se você também aprendeu algumas curiosidades sobre a Bélgica, tem uma impressão diferente sobre algum dos tópicos, ou pensa em hospedar alguém de qualquer lugar do mundo e ter por algumas semanas uma “vida de host”, deixe seu comentário!

Em breve, compartilharei algumas curiosidades que aprendi sobre a Colômbia também. Acompanhe!

Vida de Host: sexta semana

Em 03.11.2015   Arquivado em Vida de host

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Chegamos ao último resumão da “Vida de Host” da Amira! Vim contar um pouquinho sobre a sexta semana, e vou tentar ser o mais leve e animada possível, porque ó, saudadinha não está fácil.

A semana das meninas começou com uma trégua no tempo, para nossa alegria. A Hind e a Amira aproveitaram a terça-feira sem chuva para visitar o bairro Nova Rússia, uma região de Blumenau com cachoeiras e mata preservada. A Mirella, que é prima do Rafa (namorado), fez companhia a elas. Obrigada, Mi!

Nos dias seguintes, as meninas compraram brinquedos para as crianças do Lar Bethel, instituição para a qual trabalharam voluntariamente durante o intercâmbio da AIESEC. Apesar das saídas para comprinhas, a Amira passou bastante tempo comigo e com minha mãe. Conversamos muito!

Sexta-feira, ela tirou o dia para descansar, e já mostrava sinais de desânimo por ter que se despedir da gente. À noite, enquanto foi ao shopping com a Hind e a Julia (prima), eu e a mãe saímos para comprar um presentinho. Escolhemos um par de chinelos Havaianas bem bonito, com estampa inspirada nas praias brasileiras, e decoramos com pingentes da bandeira do Brasil.

Assim que chegamos em casa, a mãe já quis dar o presente – ela é dessas que fica ansiosa para presentear logo. A Amira amou, nos abraçou, beijou e agradeceu muitas vezes. (Também demos algumas lingeries, e a reação foi “Oh-la-laaa!”)

Mais tarde, eu e o Rafa conversamos com ela sobre o intercâmbio. Para nossa surpresa, ela disse que foi a melhor experiência da vida. Contou pra gente um pouquinho de como é sua rotina da Bélgica, e confessou estar angustiada por sua volta. Acho que é como a Michelle do Cabide Colorido contou uma vez por vídeo: quando você mora em outro país, ainda que por pouco tempo, tem a sensação de uma vida paralela.

Sábado levamos a Hind e a Amira para conhecer o Molhes da Barra, na cidade de Itajaí. É um lugar bem interessante: o molhe é um divisor entre o Rio Itajaí Açú e o mar, então de um lado a água estava laranja e barrenta, do outro, verde escura.

O passeio teria sido muito divertido, se não tivesse escapado por pouco de ter sido assaltada. Acho que a câmera chamou a atenção, e uns caras começaram a seguir a gente até o estacionamento. Felizmente, nos abrigamos em uma barraca de caldo de cana até que pararam de olhar e foram embora. Ps.: Não comentei absolutamente nada com as meninas, e elas também não questionaram, mas acho que entenderam a situação.

Domingo foi dia de almoço de família, e a Hind estava lá em casa com a gente. A Amira aprendeu com meu irmão a preparar salmão e fazer molho de manga e gengibre, que ficou uma delícia! Enquanto ele colocou a mão na massa, lá estava ela com as anotações, pra lá e pra cá. O cardápio da família dela em Bruxelas vai ganhar um “up” pelo tanto de receitas que quis aprender aqui!

Fim de tarde, eis que a choradeira começou. A Hind precisou se despedir da minha família, e chorou muito quando chegou a vez da mãe. :/

Mais tarde, chegou a vez da Julinha ir embora, e a choradeira parte 2 foi entre ela e a Amira.

O auge da noite foi um momento emocionante entre eu, Amira, Rafa e mãe. Ela apareceu na sala com uma carta escrita em português e leu pra gente, com a voz embargada. Acho que, de todo o processo de despedida, esse foi o momento mais doloroso.

No dia seguinte, logo cedo, a Amira se despediu da minha mãe, e mais uma vez disse que foi a melhor experiência que teve. No caminho até a estação de embarque, fomos conversando – sem lágrimas – sobre toda a experiência. Aproveitei o assunto para ensinar a palavra “saudade”, que não tem tradução.

Deixei a Amira e a Hind na estação de ônibus e me despedi rapidamente delas, dessa vez um pouco mais serena. Eu e Amira nos abraçamos muito e a agradeci por tudo. Logo chegou o momento de guardar a bagagem e partir, foi quando segui meu caminho para o trabalho, agora sim, produzindo água para a Cantareira.

Contando assim parece que a despedida não compensa todo o restante da “Vida de Host”, mas nem de longe quero passar essa impressão. Na verdade, tivemos uma conexão que jamais imaginaríamos. A experiência foi realmente transformadora, mesmo em âmbitos da nossa vida que nem compartilhamos com a Amira.

Foram só seis semanas de uma amizade que não terá fim com o aumento da distância. Skype, Facebook e outros recursos estão aí para que a gente mantenha contato, e a possibilidade de ir visitá-la ou recebê-la de novo um dia é bem grande. \o/

Vida de host: quinta semana

Em 26.10.2015   Arquivado em Vida de host

Ê, saudade! Deixei a Amira e a Hind na estação de embarque hoje de manhã. A despedida da Amira ontem e hoje foi uma choradeira só. Mas vamos voltar um pouquinho a fita: fiz um resumão da quinta e penúltima semana de “Vida de Host”. Teve chuva, planejamento de viagem, momentos em família, Oktober e a clássica pergunta: “caso ou compro uma bicicleta?”.

A semana começou com o feriado de 12 de outubro. Nós aproveitamos o dia para descansar, já que fomos para a Oktoberfest domingo e o tempo estava chuvoso, como nas últimas semanas.

A Hind passou o dia conosco também, e conversamos muito durante a tarde. Ela nos apresentou o Hammam, que em árabe quer dizer algo como “banho”. Trata-se de uma tradição que envolve sauna, massagem, esfoliação e relaxamento. Algo como um dia no spa, só que por um preço muito inferior ao praticado no Brasil e em um lugar lindo, calmo e com decoração típica.

O Hammam surgiu para providenciar momentos de higiene e saúde. Ao fazer o tratamento, primeiramente você fica em uma sala com vapor, para abrir os poros. Depois, uma série de procedimentos são realizados, e variam de acordo com o local. Na maioria dos casos, faz-se uma esfoliação com sabão preto e outros sais, massagem e limpeza. Depois, você ainda migra para outra sala e fica um tempo relaxando antes de sair.

Nos Hammams tradicionais, muitas pessoas ficam juntas no mesmo ambiente, o que para nós soou bem estranho, porque estão todos nus ou seminus. É claro que homens e mulheres são separados, mas ainda assim a cena não parece muito confortável, pelo menos para mim e para o Rafa.

A boa notícia é que existem opções mais intimistas. Alguns Hammams modernos do Marrocos permitem que você faça o tratamento sozinho ou com poucas pessoas, reservando com antecedência. Bacana, né?!

A Hind faz o Hammam todo mês, já é uma espécie de necessidadea ela, e o melhor: paga no máximo o equivalente a 30 reais aqui. Quando é minha vez de fazer isso aí mesmo?!

A semana seguiu com a Amira mais abrasileirada do que nunca, anotando freneticamente as receitas da minha mãe, conversando sobre vários assuntos conosco e, como sempre, de olho na previsão do tempo.

Sexta-feira é o day off delas no trabalho voluntário, então resolveram ir para Bombinhas com a Maria, membro da AIESEC. O tempo estava cinza e com cara de chuva, mas elas são tão otimistas que saíram de casa de biquíni e vestido. A Amira só pegou casaco porque a “Host mãe” (ela chama a mãe assim, às vezes) avisou. Bendita foi essa jaqueta!

As meninas ficaram sexta e sábado em Bombinhas e tiveram que recorrer aos pijamas para não passar frio. O tempo tem trollado muito, não dá pra confiar na previsão. Pelo menos elas conheceram a praia e acharam tudo muito lindo. E a companhia também agradou muito, elas adoram a Maria! Ainda quero conhecê-la.

Domingo teve almoço de família lá em casa com meu irmão, esposa e filhos, Rafa, irmã dele e cunhado, e a Master Chef Mãe. A Hind dormiu lá de novo e finalmente conheceu o pessoal.

Depois do rango, a surpresa: sol de rachar, daquele que queima se você ficar meia horinha sem protetor. WHY???

As meninas conheceram o clássico “sol na lage”, porque com a instabilidade do tempo, nem ousamos ensaiar um passeio.

À noite resolvemos aproveitar o sossego do domingo para ir para a Oktober de novo, dessa vez para jantar algo típico e mostrar todos os setores para as gringas. Quando estávamos saindo, a Hind se despediu da minha mãe e disse que ela se lembra muito da família quando está lá em casa, se sente bem à vontade, e agradeceu por tudo. Que bom saber que, além da casa da Belisa, ela também se sente confortável conosco e que ganhou uma segunda host family!

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Na Oktober comemos pratos alemães, dançamos, tiramos fotos, e passeamos por todos os setores. Mesmo morando em Blumenau, esqueço que há dias mais calmos que o agitado sábado a noite. É claro que ele tem sua valia, mas é gostoso ir com a família e os amigos em momentos tranquilos.

Perto da meia noite, deixamos a Hind em casa e fomos descansar, porque a segunda nos esperava e o horário de verão já chegou elevando o sono ao modo hard! Logo logo a gente se acostuma com a mudança.

Bônus: lembra que comentei no início do post sobre casar ou comprar uma bicicleta? Eu e o Rafa conversamos muito sobre o futuro e temos as nossas economias. Com a empolgação de viajar para o Marrocos e a Bélgica, e ao mesmo tempo o desejo de ter o nosso canto (sem pressão, não é plano pra já), a gente tem revisto muitas de nossas metas para que seja possível conhecer outros países. Como essa experiência de host impacta, né?!

Sei que o relato da quinta semana estava atrasado, mas prontinho, aí está. O resumão da última semana sairá em breve, assim que eu tiver melhorzinha para contar tudo sem levar para o lado tristinho da coisa, porque a gente estava em clima de despedida desde sexta.

Boa semana a você, e a mim também. Espero terminá-la sem amigdalite, porque não está sendo fácil.

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Vida de host: quarta semana

Em 12.10.2015   Arquivado em Vida de host

Alô, Blumenau! Bom dia, Brasil! 19 dias de folia!

Essa semana começou a Oktoberfest, tradicional festa germânica da cidade. Além da Amira, quem também veio prestigiar a festa foi a chuva, que pelo jeito vai nos acompanhar até o final do intercâmbio (não me escute, São Pedro!).

Quarta-feira teve o desfile de abertura, mas fomos ao aniversário da minha sobrinha Mariah. A Amira foi conosco e comprou dois presentinhos fofos pra ela. Conheceu o “Parabéns” português, comeu uma torta deliciosa de frango que também era novidade pra ela, e docinhos como pão de mel e brigadeiro de leite ninho com Nutella. Ah, essa comida daqui! <3 

Sexta as meninas aproveitaram o dia para passear com a Belisa, depois foram para a casa dela fazer uma troca: tiveram aula de português e a ajudaram com o francês. A Amira acabou dormindo lá e nos vimos só no outro dia. Notei que essa semana ela está especialmente empolgada com os aprendizados do intercâmbio, provavelmente porque gosta daqui e já está super familiarizada, o que motiva a querer saber mais.

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Sábado o tempo colaborou (agora vai!) e assistimos ao desfile da Oktober. Até pegamos uma chuvinha leve, mas nem vou reclamar porque foi tudo lindo. E para fechar, aproveitamos que domingo era véspera de feriado para levá-las a festa, com trajes típicos e tudo. Elas ficaram boa parte do tempo sentadas ou observando a multidão e fazendo vídeos. Achamos que não curtiram muito, mas talvez os brasileiros é que são mais bagunceiros nessas ocasiões mesmo. Elas amaram se vestir de fridas e tiraram muitas selfies. Finalizamos a noite com uma batata-recheada bem gostosa.

Ah, deixa eu voltar ao sábado rapidinho: as meninas falaram que na Bélgica e no Marrocos os apliques brasileiros são bem procurados, e as mulheres do Brasil são conhecidas por seus cabelos bonitos (pra gente é normal, mas elas reparam bastante nisso aqui). Aí a Amira mostrou pra gente um aplique e eu e o Rafa provamos! Me senti uma sereia, a Rapunzel, ou qualquer outra personagem cabeluda. A gente tirou um monte de fotos. Foi engraçado!

Esta semana o relato talvez entre em um clima de nostalgia/bad vibes, porque a gente fez as contas e vimos que falta muito pouco para elas irem embora. Achei um ponto negativo da experiência: o apego seguido pela saudade. Mas não quero pensar sobre isso agora não, em vez disso, eu e o Rafa já estamos pensando em roteiros para quando formos visitá-las. Vai ser lindo conhecer a Bélgica e o Marrocos, e vê-las de novo – especialmente a Amira – vai dar um quentinho no coração, já posso sentir agora.

Vida de host: terceira semana

Em 05.10.2015   Arquivado em Vida de host

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Oii, tirei um tempinho para resumir essa semana como host family, que não teve muitas novidades. Agora que a empolgação de rever a prima passou (contei sobre a chegada da Hind lá na segunda semana), a Amira passou mais tempo em casa, e por isso aprendeu novas palavras e conversou bastante com a minha mãe. As duas, apesar de não terem um idioma em comum, se entendem bem, pois têm a mesma vontade de estabelecer a comunicação. Isso é muito legal!

Essa semana continuou bem chuvosa aqui na cidade, estamos preocupadas com o tempo, porque as meninas querem conhecer as praias da região. Há outras atrações na cidade, mas o que elas mais gostam de ver são as paisagens naturais.

Já que o final de semana não deu praia, a Amira e a Hind preparam um jantar marroquino aqui em casa. Chamamos a Belisa, o Rafa e a Ju e comemos pratos que, mesmo com ingredientes familiares, tinham o tempero bem diferente do que costumamos fazer aqui.

As meninas fizeram uma salada com batatas, ovos, beterraba e azeitona, e prepararam duas carnes diferentes: frango com cominho, cúrcuma, folhas de louro e outras especiarias, e alcatra bovina com ameixa, canela e amêndoas e mais ingredientes. Gostamos das duas opções, mas como não sou fã de ameixa, a primeira foi minha preferida.

Domingo foi dia de zoológico! A Belisa foi com a Amira, a Hind e a Ju ao Zôo de Pomerode, enquanto eu e o Rafa demos uma volta pela cidade, tomamos um café colonial exagerado no Torten Paradies e um Chopp na Shornstein. Depois nos reunimos novamente no Torten e as meninas adoraram as cucas, tortas e outras gostosuras de lá. A gente só não lanchou de novo porque não coube!

[Foto da Prefeitura: Blog do Jaime]

Vida de host: segunda semana

Em 28.09.2015   Arquivado em Vida de host

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Depois de um final de semana agitado, a segunda semana começou bem diferente. Com a chegada da prima, a Amira passou bastante tempo com ela em um dos shoppings da cidade, e as meninas aproveitaram o bom tempo da semana para conhecer Balneário Camboriú, uma cidade com praia relativamente perto de Blumenau.

Aqui em casa ela ficou bem à vontade, na verdade acabou chegando tarde todos os dias por conta dos passeios, por isso não conversamos muito, mas tudo correu bem. Um ponto alto da semana foi ela ter provado sopa de feijão. Costumo comer o caldo com farinha às vezes, ela me seguiu nesse prato “estranho” e gostou bastante. Já pode cantar Aquarela do Brasil que tá em casa!

Não fizemos muitos registros do final de semana, mas levamos a Amira para conhecer Ilhota, uma cidade próxima conhecida nacionalmente como capital dos biquínis e lingeries. O passeio foi bem agradável e divertido. A gente riu com as diferenças culturais, porque o que no Brasil classificamos como “calcinha grande”, para ela não estava tampando o suficiente. Mas no fim, ela comprou as peças separadas e formou um par bonito, e agora estamos esperando o tempo mudar para ver vai dar praia nos próximos finais de semana.

Sábado à noite a Belisa, que hospeda a Hind, nos convidou para a “Brazilian night”. Comemos empadão de frango que os amigos dela prepararam, sorvete e alguns doces brasileiros, como paçoca, “teta de nega”, pé-de-moleque e cocada. Tentamos apresentar a famosa caipirinha, mas as meninas avisaram que não ingerem bebida alcóolica, e ficaram no suco mesmo.

Não mencionei no resumão, mas na primeira semana eu e a Amira conversamos sobre o casamento marroquino. Na casa da Belisa, voltamos a tocar no assunto, agora com contribuições da Hind, que mora em Tânger e sabe muito bem como funciona a cerimônia. São dias de festividades e rituais bem diferentes do que costumamos assistir. Por falar em prestigiar casamentos, lá no Marrocos, se você conhece algum familiar ou amigo dos noivos, ou mesmo se fica sabendo sobre a ocasião, está automaticamente convidado. Ou seja: quando formos pra lá, as meninas querem muito que a gente vá a alguma festa para ver de perto os costumes. Incrível, né?!

Encontrei um vídeo só para vocês verem que festerê maravilhoso!

Hoje, a maioria dos casamentos no Marrocos e em alguns países de cultura árabe não são mais negociações. Segundo a Hind, as pessoas casam por amor, e as mulheres têm liberdade para escolher seus pretendentes. Ufa!

O domingo foi chuvoso e a Hind veio aqui para elas conversarem sobre o projeto que estão desenvolvendo para o Lar Bethel. A gente (eu, mãe, Rafa) ficou domingando como sempre: mantinha, TV e muita comida.

Beijo procê e força na peruca que a semana tá só começando!

[Crédito da foto: Belisa]

Vida de host: primeira semana

Em 21.09.2015   Arquivado em Vida de host

Partiu* continuar a série de posts sobre host family! Depois de comentar sobre as primeiras impressões, vim contar sobre a nossa primeira semana.

primeirasemana

No segundo dia da Amira aqui em casa, domingo, dedicamos a tarde a mostrar alguns pontos da cidade: Bierganten, Rua das Palmeiras, Castelinho da Moellmann, Prefeitura Municipal de Blumenau, Portal da Saxônia e Parque Ramiro Ruediger. Fomos eu, Amira, Rafa (namorado) e Ju (prima). O dia estava lindo e o passeio foi bacana pra gente quebrar o gelo e apresentar a cidade.

No Parque Ramiro, a Amira tomou água de coco natural pela primeira vez e comeu churros com doce de leite. Amooou os dois! Ela disse que em Bruxelas encontra apenas a versão de caixinha da água, e o gosto é bem diferente.

A semana seguiu tranquila e a adaptação aqui em casa aconteceu de forma bem natural. A Amira gostou das comidas, conheceu a nossa rotina e ficou à vontade conforme os dias foram passando. A dor de cabeça foi em relação à mobilidade: em alguns dias, ela se perdeu porque a cidade não tem boa sinalização dos terminais e pontos de ônibus. Uma solução que encontramos foi imprimir um mapa simples da cidade, inserir legenda com os números e nomes dos ônibus e incluir fotos dos terminais urbanos nesse guia (acreditam que só está escrito o nome do terminal no telhado?).

Passados os primeiros sustos, ela ficou expert em relação ao transporte e disse que começou a ter a sensação de morar aqui. Nada como alguns dias para absorver as mudanças!

Durante a semana ela conheceu outros alimentos também: cuca, açaí, castanha e a panqueca de banana da Dona Zilma (mãe), que ela até anotou a receita de tanto que gostou. Comemos quase todos os dias de manhã. Até agora, aliás, ela gostou de tudo que experimentou, exceto molho de mostarda, o que é perfeitamente compreensível porque o gosto é bem diferente.

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O final de semana teve chegada da Hind, prima da Amira que veio do Marrocos para fazer o mesmo intercâmbio pela AIESEC, tarde de Just Dance e Colmeia, evento cultural da cidade. Como o Rafa conhecia a menina que hospedaria a Hind, aproveitamos a ocasião para reuni-las e mostrar um pouquinho de cultura brasileira com arte, apresentações de dança, maracatu, roda de samba e por fim, um petiscão na choperia Thapyoka.

Ah! Mas antes de sairmos, ela conheceu meu irmão, a esposa e os meus sobrinhos fofos, e foi oficialmente apresentada à maionese com farofa, pão francês “dontê” (também conhecido como dormido, amanhecido ou de ontem) aquecido na churrasqueira – acreditem, ela amou isso – e rabanada.

Como será a segunda semana?

*”Partiu” foi um dos jeitos que a gente encontrou pra traduzir “let’s go”, porque falar “vamos lá” ou “vamos” não tinha o mesmo efeito.

Vida de host: primeiras impressões

Em 19.09.2015   Arquivado em Vida de host

Como contei no post anterior, eu e minha mãe nos inscrevemos como hosts no programa de intercâmbio da AIESEC e recebemos uma menina da Bélgica no dia 12 de setembro.

No momento de inscrição, nosso único requisito foi que viesse uma intercambista menina, já que moramos sozinhas e isso para nós seria mais confortável. Inicialmente, pensávamos em alguém que falasse espanhol, pois minha mãe não fala inglês e eu, apesar de ter estudado o idioma, não tinha intimidade com o “conversation”. Mas quando a AIESEC nos apresentou a possibilidade de hospedar a Amira, topamos a ideia mesmo sabendo que a comunicação seria um desafio maior.

Para “quebrar o gelo” e autoavaliar meu embromation, a Fê do AIESEC me passou o contato do Facebook da Amira, mas antes mesmo de eu puxar assunto ela já me adicionou e se apresentou. Esse começo foi bem bacana: cada uma falou um pouquinho sobre si, ela pode me fazer perguntas sobre o tempo e outras coisas que influenciariam na bagagem, e eu pude acompanhar todo o passo a passo da viagem (foram 30 horas!).

As meninas do AIESEC se encarregaram de pegar a Amira na rodoviária da cidade e levá-la até lá em casa. Quando chegaram, achei que seria uma situação bem estranha. Como ficamos bobos quando saímos da zona de conforto!

primeirasimpressoes

As primeiras impressões desmancharam um montão de inseguranças e tabus que tínhamos:

Comunicação

Escrevo em inglês muito melhor do que falo, mas entendo mais do que imaginava. Sentamos eu, minha mãe, o Rafa (namorado) e a Ju (prima) na mesa da cozinha, e a Amira desatou a contar a viagem toda e ensinar algumas palavras em francês para nós – sua primeira língua. Aí percebemos duas coisas: francês e português têm muitas palavras em comum, e minha mãe tem a dicção melhor que a nossa para aprender o idioma do “merci”.

Personalidade

Sou o tipo de pessoa que se preocupa em agradar e se importa muito com a opinião dos outros, então a possibilidade da Amira ser fechada, tímida e séria me assustava. Que nada! Ela fala pra caramba, já chegou abraçando e conhecendo os cômodos da casa sem cerimônia. Ela é assim: simplona, gente como a gente. Exemplos de ouro: ela derramou chá na pessoa do lado sem querer quando estava no avião, e esbarrou no móvel do corredor várias vezes até se acostumar com ele. “Ok, I’m fine!” ela falava de lá entre uma risadinha e outra.

Hábitos

Você hospeda alguém achando que vai mudar toda sua rotina, mas na verdade, a pessoa que vem geralmente está disposta a viver a sua realidade, e isso ficou bem claro nas primeiras horas de hospedagem. No nosso caso, a Amira acorda e vai dormir mais ou menos no mesmo horário, come as mesmas coisas e inclusive ajuda em pequenas tarefas da casa, revezando a louça comigo, por exemplo.

Assunto

Sabe aquela sensação de que você e a intercambista ficarão sem assunto e com cara de paisagem, porque você PENSA que não tem nada de interessante a dizer? Outra besteira. Tudo que contava sobre nós na primeira conversa com a Amira – hábitos, lugares da cidade, família – ela achava realmente interessante.

É como disse acima, nada como esse contato inicial para descontruir muros e construir pontes. Nossas primeiras impressões foram melhores que as expectativas, e já estamos morando juntas há um mês.

Vou dedicar os próximos posts para falar sobre os lugares que visitamos, diferenças culturais e outras coisas que temos aprendido com a experiência. Acompanhe! :D