Vida de freela: primeiras impressões

Em 16.02.2016   Arquivado em Vida de freela

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Faz pouco mais de um mês que acordei de manhã para meu primeiro dia oficial de Vida de Freela. Naquele dia, fiz um post com muito carinho contando sobre o início dessa nova experiência, que está aqui.

Pouco tempo passou e obviamente ainda não tenho muitas experiências para compartilhar, mas hoje quero dividir com vocês algumas das minhas primeiras impressões sobre esse novo modelo de trabalho.

1 – Home office e moleza não são sinônimos

Não que isso seja novidade, mas muita gente se ilude ao pensar que trabalhar em casa necessariamente trará a si toda a liberdade do mundo para ficar à toa. Você pode sim se sentir mais livre, fazer os próprios horários, cozinhar, estender um pouquinho a hora do almoço de vez em quando ou escolher o melhor momento para ir ao banco. Isso é bom, traz mais flexibilidade à rotina, mas lembre-se: você ainda tem um trabalho.

Toda essa historinha pra contar que, diante de tantas possibilidades, eu demorei um pouquinho para me sentir de fato livre dentro da minha nova rotina. E olha a ironia da vida: foi estabelecendo horários e mantendo o foco nos afazeres que consegui realmente me organizar.

A organização é que permite alguns momentos dessa tal “liberdade”, que é bem relativa. Pra uns, pode ser trabalhar de madrugada. Para outros, ficar de pijama o dia todo. Mas para todos, é poder ter tempo e autonomia para se dedicar aos seus projetos.

2 – Ser freela é coisa de gente grande

Meu copo dos Minions, o sono estendido de algumas manhãs e meu estojo roxinho com canetas coloridas não mudam o fato de que a formalização da Vida de Freela é coisa de adulto e exige o conhecimento de algumas burocracias e pesquisas na internet sobre coisas que a gente não costuma pensar antes de deixar o emprego convencional.

Já visitei o SEBRAE, por exemplo, pesquisei N métodos para precificação e dei um Google em “contrato de prestação de serviços”. Baixei vários modelos até construir um que se adequasse à minha realidade.

A questão aqui é: mesmo com vinte e poucos anos, vi que tenho muito que aprender ainda. E isso é bom!

3 – Não é o cofre do Tio Patinhas, mas dá pra se virar

Tem que ser bem ambicioso pra pensar em ganhar muuuita grana logo de início, mas sei que muita gente já sai da CLT com vários clientes cobrindo o salário do trabalho convencional. Não foi o meu caso, como devo ter citado no primeiro post do ano. Já tenho uma renda, mas não é do tamanho que eu tinha antes se for somar os benefícios concedidos.

Aí vem a boa notícia: eu não preciso de muito.

Calma lá, não quer dizer que não queira ganhar dinheiro! Mas a questão é que, ao levar a sério a planilha de gastos e realmente anotar todas as despesas, você descobre que dá pra cortar muita coisa sem abrir mão do básico.

Pra começo dessa nova trajetória, tudo certo com meu porquinho.

4 – Um espaço adequado é essencial

Não precisa ser um escritório de Pinterest, mas é super importante ter um lugar preparado especialmente para o trabalho. Eu, por exemplo, tenho trabalhado alguns dias por semana na mesa da cozinha. O espaço é grande, a vista é bonita, mas as distrações vão da geladeira cheia à pia de louça, que no passado eu deixava acumular mais antes de atacar com sabão e esponja.

Felizmente trabalho nos outros dias úteis em uma mesa do escritório do boy, e já estou planejando meu home office. Enquanto o “escritório de Pinterest” não é realidade, compartilho algumas inspirações aqui, porque né?! É muita ideia criativa!

5 – Ansiedade à prova de contar carneirinhos

Sim, o início da Vida de Freela parece uma aventura. Expectativas, frios na barriga, descobertas, medos e uma mistura de tantos outros sentimentos. Talvez não seja assim pra todo mundo, mas como já sou naturalmente ansiosa, esse período tem sido de picos de nervosismo, empolgação e receio, tudo ao mesmo tempo.

Agora, junta essa ansiedade marota com meu pico criativo, que é à noite, e pronto. Ainda estou tentando descobrir como voltar a dormir em dois minutos depois de deitar.

6 – Processo de autoconhecimento

Com uma nova experiência a cada dia, você adquire não só conhecimento sobre as coisas que envolvem os seus serviços, como também sobre si. Um deles é a força interior que tem.

Cada pessoa é de um jeito. Para alguns, trabalhar um mês e pouco de freela é um sonho de liberdade e eu estou sendo profunda demais para descrever essa situação, mas pra mim, foi um grande passo, e até agora estou me adaptando às mudanças. Quem me conhece sabe que minha coragem não é a do tipo “nada pode me deter”, mas a do “vou com medo mesmo”.

7 – Movida por desafios

Eu ainda quero fazer um post com uma baita conclusão positiva sobre essa experiência, mas por enquanto vou me limitar a finalizar esse texto dizendo que o início da Vida de Freela e de um novo negócio traz alguns desafios, e até agora consegui lidar bem com todos eles, portanto pra mim tem valido a pena.

Não quero levantar a bandeira do “saia do seu emprego e vá vender sua arte na praia”. Tem gente que larga tudo e é feliz se entregando ao que ama fazer, e tem quem quebre a cara também. Há ainda quem deseje um futuro de sucesso dentro da companhia onde trabalha, ou quem encontre realização em seu emprego simples e sem muitos rendimentos. “Cadum cadum”.

Acontece que meus projetos de vida envolviam novas escolhas. E um livro que li lá na minha infância chamado “Quem mexeu no meu queijo” me ensinou: a gente só chega lá, se tiver a iniciativa de sair do lugar. Não dá pra chegar até o meu queijo se ficar apenas sentindo o cheirinho de longe, não é mesmo?

Alguém se identifica? Me conta aí! :)

[Foto do Instagram: @thaysaapereira]