Vida de host: entrevista com Ana

Em 30.05.2016   Arquivado em Vida de host
María Lorena (de óculos) e Ana Paula (de gorrinho)

María Lorena (de óculos) e Ana Paula (de gorrinho)

Desde o ano passado as publicações sobre Vida de Host estão paradas no blog, já que não recebemos uma nova trainee em casa. Mas eis que a Ana, uma amiga da faculdade, foi host de uma menina super querida nas últimas semanas, então resolvemos compartilhar por aqui como foi a experiência.

Assim como eu, a Ana também se inscreveu no site da AIESEC para hospedar uma intercambista. O projeto é voluntário, e apesar de não envolver remuneração, rende muito aprendizado, novas experiências e amizades para a vida toda. <3

Como surgiu a vontade de se inscrever para ser host pela AIESEC?

Minha vontade de ser host surgiu quando vi que você estava recebendo uma intercambista em casa (mais detalhes aqui). Aí acho que juntou a minha vontade por novas experiências e o seu incentivo.

Conte um pouco sobre a trainee que você recebeu e os primeiros momentos da chegada dela.

Recebi a María Lorena da cidade de Guaiaquil, Equador. Meus primeiros contatos com ela foram via Facebook e WhatsApp, antes mesmo da sua chegada. Conversávamos sobre o clima e as roupas que ela deveria trazer, sobre coisas que ela gostava e eu também. Ela me enviava fotos das praias do Equador e eu enviava fotos das praias daqui e da cidade.

Tentamos estabelecer uma amizade antes de nos conhecermos pessoalmente. Como nos falávamos muito antes, quando ela chegou não foi tããão estranho rsrs. Ela chegou de manhã e fui com meu pai buscá-la na rodoviária. Já nos reconhecemos sem precisar das tradicionais plaquinhas, haha! Desde o primeiro dia ela já se fez sentir em casa; a primeira refeição dela foi o café da manhã e ela já foi lavando a louça que nem precisava lavar.

Você comentou que a Lorena veio do Equador. Você e sua família falam espanhol? Como fluiu a comunicação em casa?

Esse era o grande medo dos meus pais, como se comunicar com ela. Mas foi muito tranquilo, ela falava espanhol bem devagar e nós igualmente em português, e assim a comunicação fluiu. Nos primeiros dias eu arranhava meu inglês com ela mas depois que ela foi entendendo bem o português e eu o espanhol e passamos a falar cada uma na sua língua, e claro, tentando falar a língua da outra também.

E quanto às diferenças culturais, o que mais chamou a atenção?

De diferenças culturais eu não percebi muitas. Mas algumas coisas ela comentou comigo, que os brasileiros comem demais, por exemplo (ou eu como demais, não sei rsrs).

Muita gente tem receio de ser host porque acredita não ter tempo suficiente para se dedicar ao intercambista. Houve alguma mudança na rotina da sua família, em relação às refeições, afazeres domésticos, etc.?

Minha vida mudou um pouco, claro, porque eu decidi receber alguém em minha casa e queria fazer com que a experiência dela aqui fosse a melhor possível. Mas eu não mudei minha rotina, não deixei de fazer nada que queria por causa dela. Ela ia comigo em todos os lugares e também saia sozinha.

Minha família manteve a mesma rotina de refeições, afazeres domésticos e compromissos.

Por quantas semanas a Lorena ficou em sua casa, e que projetos ela desenvolveu aqui?

A Lorena ficou aqui durante 6 semanas e trabalhou em uma ONG ensinando espanhol para as crianças e ajudando com as tarefas escolares.

A María se mostrou satisfeita com o intercâmbio? Do que você acha que ela mais gostou em relação à família, ao projeto e à região? (Obs.: Vale conversar com ela sobre essa pergunta!)

Pelas coisas que falava, ela amou o intercâmbio. Ela se demonstrava sempre muito agradecida por tudo que fazíamos por ela, por todos os lugares que eu a levava, pelas refeições e comidas típicas que fazíamos. Ela sempre dizia “muito obrigada”.

Sobre o Brasil, ela amou, dizia que as pessoas aqui eram muito “hermosas” e que os brasileiros eram muito amáveis. Ela achava tudo muito bonito.

E sobre a ONG acho que ela saiu bem sensibilizada, dizia que as crianças eram os “meninos” dela. Ela pode ouvir muitas histórias tristes sobre a vida de algumas crianças e isso a deixou bem impactada. Mas ela foi embora sabendo que o mais importante não eram as aulas de espanhol que deu, mas sim, os sonhos e as novas perspectivas de futuro que ela pode despertar naquelas crianças. Ela recebeu presentes e cartinhas dos alunos que até eu chorei quando li. Tenho certeza que foi um tempo bem positivo e marcante tanto pra Lorena quanto pra ONG.

Agora que aquela bad da despedida passou, compartilhe o que achou dessa experiência como host.

A parte mais difícil de ser host é a bad da despedida, hahaha. É difícil explicar o que significou essa experiência porque percebi em mim sentimentos que não sabia que tinha, é uma coisa meio louca, não sei.

É uma experiência incrível, não tinha ideia que seria tão bom, pra mim, iria hospedar uma pessoa e ai ela iria embora e pronto. Mas não! Essa pessoa passa a fazer parte da sua família, da vida e daqueles causos que você com certeza vai contar para seus netos. Sei que agora tenho uma família no Equador ou em qualquer lugar do mundo que a Lorena estiver e ela sabe que tem uma família aqui.

Vocês acha que Lorena e sua família manterão contato?

Eu realmente espero que sim, sei que a vida é corrida para nós, mas vou me esforçar para manter contato com ela.

Duas perguntinhas cruciais pra quem ainda está decidindo a respeito: você hospedaria alguém de novo? Daria essa ideia a alguém?

Com toda certeza eu hospedaria alguém novamente e acho que não vai demorar muito. Super incentivo quem quiser hospedar, essa foi uma das melhores decisões que fiz na minha vida. Abra sua mente, abra seu coração, abra sua casa! <3

Por fim, vamos inverter os papéis. Agora que já teve uma Vida de Host, se sente motivada a fazer um intercâmbio voluntário pela AIESEC?

Sempre tive o sonho de fazer intercâmbio, mas nunca achei um que estivesse dentro das minhas condições financeiras e também sempre tive vontade de fazer algo que tivesse um propósito maior. Acho que agora encontrei! :D


Palmas para a migs que aceitou ser entrevistada e dividir com a gente suas impressões sobre a Vida de Host! ~clap, clap, clap~

E se despertamos sua curiosidade, acesse o site da AIESEC para saber mais sobre o projeto e clique aqui para conferir meu post explicando de forma bem simples o processo de inscrição. Tenho certeza que você pode ter e ser a liderança que o mundo precisa!

Spoiler: uma nova trainee chegará em minha casa nas próximas semanas. Continue visitando o blog para acompanhar nossa experiência Brasil – Colômbia.