Vida de Host: sexta semana

Em 03.11.2015   Arquivado em Vida de host

sextasemana

Chegamos ao último resumão da “Vida de Host” da Amira! Vim contar um pouquinho sobre a sexta semana, e vou tentar ser o mais leve e animada possível, porque ó, saudadinha não está fácil.

A semana das meninas começou com uma trégua no tempo, para nossa alegria. A Hind e a Amira aproveitaram a terça-feira sem chuva para visitar o bairro Nova Rússia, uma região de Blumenau com cachoeiras e mata preservada. A Mirella, que é prima do Rafa (namorado), fez companhia a elas. Obrigada, Mi!

Nos dias seguintes, as meninas compraram brinquedos para as crianças do Lar Bethel, instituição para a qual trabalharam voluntariamente durante o intercâmbio da AIESEC. Apesar das saídas para comprinhas, a Amira passou bastante tempo comigo e com minha mãe. Conversamos muito!

Sexta-feira, ela tirou o dia para descansar, e já mostrava sinais de desânimo por ter que se despedir da gente. À noite, enquanto foi ao shopping com a Hind e a Julia (prima), eu e a mãe saímos para comprar um presentinho. Escolhemos um par de chinelos Havaianas bem bonito, com estampa inspirada nas praias brasileiras, e decoramos com pingentes da bandeira do Brasil.

Assim que chegamos em casa, a mãe já quis dar o presente – ela é dessas que fica ansiosa para presentear logo. A Amira amou, nos abraçou, beijou e agradeceu muitas vezes. (Também demos algumas lingeries, e a reação foi “Oh-la-laaa!”)

Mais tarde, eu e o Rafa conversamos com ela sobre o intercâmbio. Para nossa surpresa, ela disse que foi a melhor experiência da vida. Contou pra gente um pouquinho de como é sua rotina da Bélgica, e confessou estar angustiada por sua volta. Acho que é como a Michelle do Cabide Colorido contou uma vez por vídeo: quando você mora em outro país, ainda que por pouco tempo, tem a sensação de uma vida paralela.

Sábado levamos a Hind e a Amira para conhecer o Molhes da Barra, na cidade de Itajaí. É um lugar bem interessante: o molhe é um divisor entre o Rio Itajaí Açú e o mar, então de um lado a água estava laranja e barrenta, do outro, verde escura.

O passeio teria sido muito divertido, se não tivesse escapado por pouco de ter sido assaltada. Acho que a câmera chamou a atenção, e uns caras começaram a seguir a gente até o estacionamento. Felizmente, nos abrigamos em uma barraca de caldo de cana até que pararam de olhar e foram embora. Ps.: Não comentei absolutamente nada com as meninas, e elas também não questionaram, mas acho que entenderam a situação.

Domingo foi dia de almoço de família, e a Hind estava lá em casa com a gente. A Amira aprendeu com meu irmão a preparar salmão e fazer molho de manga e gengibre, que ficou uma delícia! Enquanto ele colocou a mão na massa, lá estava ela com as anotações, pra lá e pra cá. O cardápio da família dela em Bruxelas vai ganhar um “up” pelo tanto de receitas que quis aprender aqui!

Fim de tarde, eis que a choradeira começou. A Hind precisou se despedir da minha família, e chorou muito quando chegou a vez da mãe. :/

Mais tarde, chegou a vez da Julinha ir embora, e a choradeira parte 2 foi entre ela e a Amira.

O auge da noite foi um momento emocionante entre eu, Amira, Rafa e mãe. Ela apareceu na sala com uma carta escrita em português e leu pra gente, com a voz embargada. Acho que, de todo o processo de despedida, esse foi o momento mais doloroso.

No dia seguinte, logo cedo, a Amira se despediu da minha mãe, e mais uma vez disse que foi a melhor experiência que teve. No caminho até a estação de embarque, fomos conversando – sem lágrimas – sobre toda a experiência. Aproveitei o assunto para ensinar a palavra “saudade”, que não tem tradução.

Deixei a Amira e a Hind na estação de ônibus e me despedi rapidamente delas, dessa vez um pouco mais serena. Eu e Amira nos abraçamos muito e a agradeci por tudo. Logo chegou o momento de guardar a bagagem e partir, foi quando segui meu caminho para o trabalho, agora sim, produzindo água para a Cantareira.

Contando assim parece que a despedida não compensa todo o restante da “Vida de Host”, mas nem de longe quero passar essa impressão. Na verdade, tivemos uma conexão que jamais imaginaríamos. A experiência foi realmente transformadora, mesmo em âmbitos da nossa vida que nem compartilhamos com a Amira.

Foram só seis semanas de uma amizade que não terá fim com o aumento da distância. Skype, Facebook e outros recursos estão aí para que a gente mantenha contato, e a possibilidade de ir visitá-la ou recebê-la de novo um dia é bem grande. \o/